Em 2010,
quando foi anunciada a Maratona Maurício de Nassau em Recife, os corredores de
longa distância comemoraram muito. Mais do que um sonho realizado, essa prova
colocaria a cidade no circuito nacional de maratonas. Viva!
Com a promessa de sua terceira edição para o dia 30 de setembro de 2012 e apostando em um novo percurso, gostaria de dizer que para muitos essa maratona está em cheque, ou seja, será a última chance para a organização do evento se redimir de todas as falhas cometidas nos anos anteriores e recuperar o prestígio da prova.
Com a promessa de sua terceira edição para o dia 30 de setembro de 2012 e apostando em um novo percurso, gostaria de dizer que para muitos essa maratona está em cheque, ou seja, será a última chance para a organização do evento se redimir de todas as falhas cometidas nos anos anteriores e recuperar o prestígio da prova.
Muitos
amigos maratonistas já confirmaram que nunca mais participarão dessa prova.
Ficaram muito decepcionados com as falhas. Além da constante mudança de data,
que é um aspecto negativo gravíssimo, existem muitos relatos de corredores que
se sentiram abandonados à própria sorte pela organização da maratona.
Para
aqueles que finalizam uma maratona entre quatro e cinco horas, é muito
importante que os postos de hidratação cumpram o seu papel, providenciando ÁGUA
GELADA para todos, principalmente nos quilômetros finais, pois estamos
falando de um calor em torno dos 30°C.
Em sua
primeira edição, em novembro de 2010, finalizei a maratona com 04h12min. Lembro
que corri sozinho do Shopping Tacaruna até a Rua da Aurora. Não existia ninguém
para me apoiar, aplaudir ou incentivar. Até o agente de trânsito que na ida
estava na Ponte Limoeiro para organizar o trânsito, na volta, tinha abandonado
o posto, deixando-me a mercê do semáforo e da boa vontade dos
motoristas. A minha sorte, e a de muitos outros de minha equipe, é que um
amigo ficou próximo ao Palácio da Justiça (Praça da República) e providenciou
um copo de água gelada. Bebi um pouco o joguei o restante no corpo, que parecia
ameaçar desnaturar a qualquer momento. Estava no meu limite.
Em 2011,
uma lesão grave não permitiu que eu participasse dessa prova. Assim, como mero
espectador, pude registrar falhas medonhas para uma prova internacional.
Explico.
Para atrair mais atletas e dar oportunidade para aqueles que ainda não estão
preparados para os 42 km, os organizadores também realizaram provas de 5, 10 e
21 km. Essa iniciativa foi boa, colocando mais gente na prova. Assim, após
assistir a largada, fui para a Ponte 12 de Setembro (Ponte Giratória) com minha
câmera fotográfica no intuito de registrar os corredores. Para meu espanto, o
staff responsável por indicar aos atletas a direção correta estava em dúvida
quanto ao percurso, que deveria ser pela Rua da Alfândega, e não pela Rua
Alfredo Lisboa. Percebi isso exatamente quando os primeiros atletas da prova de
cinco quilômetros apontavam na cabeceira da ponte. Salvei a situação indicando
o caminho correto aos velozes atletas que passaram disputando o primeiro lugar
nessa categoria.
Um staff
que não sabia o percurso? Como assim?
Outra
falha foi uma cena inacreditável, parecia roteiro de cinema. Por falta de um
staff ou marcação vertical para indicar o percurso correto, o pelotão de elite
feminino, que largou na frente e já estava retornando de Boa Viagem,
erroneamente entrou à esquerda, na Rua Primeiro de Março, seguindo pela Ponte
Maurício de Nassau. Na realidade, elas deveriam seguir em frente e entrar à
esquerda, na Avenida Rio Branco. A cena foi muito estranha, pois o pelotão
masculino, que vinha logo atrás, fez o percurso correto, criando uma maratona
com percursos paralelos simultaneamente: o pelotão feminino correndo pela Rua
Martins de Barros e o masculino seguindo pela Ponte Princesa Isabel.
Parecia
inacreditável, mas estava acontecendo.
No final
da prova, alguns amigos disseram que tiveram problemas com o trânsito, que em
alguns momentos dividiram perigosamente a rua com os carros. Muitos foram até
insultados pelos motoristas. Imagino o transtorno...
Fico me
perguntando por que a organização da Maratona Maurício de Nassau não colocou
com bastante antecedência faixas informando aos motoristas do Recife que o
trânsito estaria interrompido naquele dia, indicando um percurso alternativo,
como acontece nas grandes cidades que recebem uma maratona internacional.
Problemas com a CTTU ou falta de planejamento antecipado?
Nessa
segunda edição, em 2011, muitos se queixaram da falta de ÁGUA GELADA no
final da maratona. Isso é um convite para o atleta desistir. Também é um convite
para o atleta pensar duas vezes se é melhor fazer uma maratona aqui, na sua
cidade, ou seguir para o Rio de Janeiro ou Porto Alegre em busca de uma corrida
que trate bem os corredores.
Sinto
muito em dizer que uma premiação alta e o sorteio de um carro não farão da
Maratona Maurício de Nassau 2012 um grande sucesso.
O sucesso
acontecerá se a prova tratar o corredor com atenção, carinho e respeito.
Amigos
organizadores, não desperdicem a chance de tornar a Maurício de Nassau uma
grande prova do circuito nacional de maratonas, por favor, eu imploro!
Gilmar
Farias - Maratonista
Se gostou, deixe uma sugestão/comentário para tornar essa maratona um sucesso nacional.
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