Todos reconhecem o esforço que o corredor amador faz para
concretizar o seu sonho de terminar uma maratona. Muitos quilômetros, muitos
sacrifícios e muitas dores. Até ultrapassar a linha de chegada, o maratonista
amador tem uma missão muito difícil para conciliar trabalho, família e treinos.
Associado a tudo isso, ainda precisamos contabilizar as despesas com
equipamentos e viagens. E quando saímos do conforto de nossa casa e viajamos
para outras cidades em busca de novas maratonas? Tudo pode ficar mais fácil e
divertido quando se tem amigos.
As dificuldades podem ser minimizadas quando uma “carinha”
conhecida vai nos recepcionar no aeroporto. Não estou falando de economia por
conta de uma carona, mas sim de um gesto de camaradagem que nos dá uma sensação
de que somos especiais.
Os amigos e maratonistas Elis (Diário de uma Corredora) e Robson me permitiram
experimentar esse sentimento. Cheguei ao Rio de Janeiro para participar da
Maratona Internacional Caixa 2012 e fui recebido no aeroporto pelos amigos que me levaram
para tomar um delicioso café da manhã, para pegar o kit da prova e ainda me
deram alguns presentes. Ganhei uma linda caneca, lasquinhas de casca de laranja
cristalizadas e um pacote especial de café. Meus amigos, obrigado por tamanha delicadeza
e atenção. O café Samba é uma delícia! Aqui em casa as lasquinhas de laranja
desapareceram junto com o primeiro gole de café.
Na hora do almoço, fui cooptado pelos maratonistas e amigos
Drica e Sérgio (Let's Run - Correndo na Viagem), o casal mais simpático do Rio de Janeiro. Gosto de gente assim, que mostra o último molar.
Eles me levaram para almoçar no Jardim Botânico e para passear na Floresta da
Tijuca. Adorei conhecer a Vista Chinesa e a Mesa do Imperador. O lugar é lindo
e mais uma vez me senti especial. Meus amigos, não existem palavras para
agradecer. Espero ter oportunidade para retribuir tamanha gentileza. Os amigos cariocas ainda mandaram uma lata de biscoitos da Confeitaria Colombo para Ana Carolina e Laurinha. Até Minty, o bichinho preferido de Laura, comeu esses deliciosos e crocantes biscoitos.
À noite, fui ao jantar BALEIAS e encontrei muitos amigos de
todo o Brasil. O guru Miguel Delgado reuniu o seu BALEAL em um restaurante no
Botafogo para celebrar a amizade, que é uma das principais características do
grupo. Como sempre, fui acolhido de forma especial por esse grupo que eu adoro.
Foi muito bom poder rever e abraçar o “gordão (agora) delgado”.
Depois de ter vivido um sábado de grandes emoções, no
domingo, o joelho direito já avisava que a missão maratona não seria fácil.
Durante o aquecimento, ele já emitia sinais que eu deveria desistir. Era a
Síndrome da Banda Íleo Tibial chamando o bom senso para uma conversinha.
Desistir? Isso não fazia parte dos meus planos.
Depois da largada, já no quilômetro cinco da prova, a dor
chegou de forma lancinante. Parecia que tinha uma faca enfiada entre o fêmur e
a tíbia. Pra minimizar a dor, fiquei procurando um jeito diferente de correr.
Tinha a impressão que eu parecia um pato correndo. Coisa horrorosa!
Quando a ideia de caminhar já começava a ficar mais forte, o
meu amigo Emerson Barbosa, o Prefeito 0800, fundador da Turma da Tesoura da
ACORJA, encostou e experimentou explicar a etimologia da palavra CORREDOR para
me convencer a não caminhar.
Correr com a dor no joelho por mais 37 quilômetros não
parecia ser uma das melhores ideias. Mas segui na companhia de Emerson e escutando
toda aquela teoria.
O Prefeito Emerson, desempenhando uma estratégia para me
distrair, exerceu toda a sua malignidade. Falou mal de todos os amigos da
ACORJA. Começou dizendo que abandonou Paulo Sobral logo no início da prova
por que ele só queria apreciar as paisagens. Depois, a cada três quilômetros, o
Prefeito Maligno soltava uma “pérola” que me divertia e me fazia esquecer um
pouco do joelho.
Mais um posto de hidratação e lá vem outra observação ácida: “Olha
aí, esse é de Tabira! É primo de Júlio Cordeiro”, apontando para uma criatura exótica que corria
toda enfeitada pela orla da Barra da Tijuca.
Até o quilômetro 28 o Prefeito Maligno falou mal de Lula, Almir,
Pâmela, Paulo de Mamãe, Hélder Zambetinha, Juliana, Flávio Maia, André, Lulu, Gelinho e Alemão. Só
não finalizou a lista da ACORJA por que precisaria de uma corrida de 100 km,
tipo Caruaru x Garanhuns, para dar conta de tanta gente.
O Prefeito corria muito concentrado, administrando bem o seu
tanque de combustível. Na chegada ao Leblon, Emerson disse: “Gigi, agora vou
mais rápido. Antes que Almir faça, eu pretendo inaugurar o blog EU GANHEI DE
JÚLIO CORDEIRO, ok?”
Como um carro de Fórmula 1, o Prefeito desapareceu no meio
da multidão e seguiu para conquistar a sua medalha com o espetacular tempo de 03:51:04.
Seguramente, ele nem imaginaria que a minha vitória sub4 (03:58:12) seria fruto de sua virtuosa capacidade de distrair o meu joelho.
Seguramente, ele nem imaginaria que a minha vitória sub4 (03:58:12) seria fruto de sua virtuosa capacidade de distrair o meu joelho.
Emerson, obrigado por sua ajuda e por me ensinar mais uma
lição de corrida. Embora o desafio seja pessoal, nunca estamos sozinhos numa
maratona. Você, os amigos especias e a ACORJA estiveram em meu pensamento e segurando o meu joelho durante os 42 km da prova.
Estou todo quebrado, praticamente um tetraplégico, mas feliz
“prá” caramba!
Já estou sonhando com a K42 Bombinhas...
